Uma espanhola, de nome Rocio Ramos, foi a mais recente convidada do subdiretor do 'Público", Nuno Pacheco, para emitir
opiniões difamatórias sobre o AO90, perante o incómodo cada vez menos mudo de responsáveis e jornalistas daquele diário.
Esta espanhola de Nuno Pacheco manifesta irritação pela uniformização da ortografia da Língua Portuguesa, emite opiniões técnicas sobre o AO90 (apesar de se reconhecer incompetente para o efeito), deturpa grosseiramente o âmbito e o propósito do AO90, e pretende o Português equiparado às Línguas menorizadas do Estado espanhol (galego, basco, catalão e valenciano).
Mais ainda, a espanhola de Nuno Pacheco acha que o Português devia ser como o Espanhol porque em Espanhol (1) são aceites várias normas ortográficas e, (2) é a “RAE [Real Academia Espanhola de Letras] quem dita as normas, uma vez que é a Espanha o país do qual a Língua é originária.”.
Ora, se a espanhola de Nuno Pacheco - e o próprio Nuno Pacheco - se tivessem dado ao trabalho de consultar os sítios da
RAE e da
ASALE, teriam lido o seguinte:
La política lingüística panhispánica
En los últimos años [após 1999], la Real Academia Española y las veintiuna [21] Academias de América y Filipinas que con ella integran la Asociación de Academias de la Lengua Española vienen desarrollando una política lingüística que implica la colaboración de todas ellas, en pie de igualdad y como ejercicio de una responsabilidad común, en las obras que sustentan y deben expresar la unidad de nuestro idioma en su rica variedad: el Diccionario, la Gramática y la Ortografía. Continuar a ler aqui
Portanto, e ao contrário do que divulga o Público, o Espanhol tem uma ortografia unificada apesar da grande diversidade fonética e de léxico, e a Real Academia Espanholda de Letras não tem supremacia sobre a emissão de documentos normativos da Língua.
E se alguém no Público gastasse menos tempo a odiar a internacionalidade da Língua Portuguesa e investigasse mais sobre a unidade na diversidade de outras Línguas internacionais como, por exemplo, o Espanhol, saberia que em 2010 foi publicada a nova
Ortografía que, malgrado o nome, constitui uma reforma ortográfica com mais
novidades e alterações do que as introduzidas pelo AO90.
E assim, sem mais, para a espanhola do Nuno Pacheco e outros opositores ao AO90, o “exemplo espanhol” passa, num ápice, de “bom” a “mau”.
O ódio cega, e o ódio de Nuno Pacheco ao AO90 é tão grande que o impediu de ver que a sua espanhola não tem as bases de conhecimento mínimas para publicar opiniões sobre ortografia da sua Língua numa folha paroquial domingueira, muito menos para publicar opiniões sobre a Língua de outros num jornal nacional. A respeito de espanholas, o Nuno Pacheco deveria fazer como o Eça: falava nelas, mas não as punha a falar.
Mas nem tudo é mau, porque a espanhola Rocio do Publico declara-se amante da Língua Portuguesa, pelo que o seu amor ao Português pode ser canalizado para nobres fins.
Assim, a espanhola Rocio do Público poderia associar-se à
Além Guadiana no esforço desigual que esta associação oliventina desenvolve para reabilitar a cultura e Língua portuguesas em Olivença, ambas à beira da extinção ao fim de 200 anos de linguicídio perpetrado pelo estado espanhol naquele território ocupado.
A espanhola Rocio do Público poderia também associar-se à
Academia Galega da Língua Portuguesa na obra de promoção da reintegração do Galego-Português na dimensão internacional da Língua, única forma de reverter o processo de descaraterização e implosão da variante mais antiga do Português, submetida oficialmente à ortografia castelhana.
Como é evidente, estas associações adotaram o AO90 porque a permanência do Português oliventino e do Galego como
ghettos linguísticos foi e é um fator de anulação e inutilidade, logo, de extinção.
Finalmente - e já que a espanhola Rocio do Público acha que os portugueses devem preferir o separatismo linguístico à unidade, a etimologia clássica à simplificada - sugere-se que ela vá para o seu país defender o mesmo para a sua Língua, isto é, que peça a consagração de ortografias diferenciadas em cada um dos países espano-falantes, e que proponha que em Espanhol se passe a escrever “objecto” em vez de “objeto”, "occulto" em vez de "oculto", “quanto” em vez de “cuanto”.