Cem anos de emendas aos dois erros da Reforma Ortográfica de 1911 (aumentado)
A origem das "consoantes mudas diacrítcas" (revisto).
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fevereiro 11, 2013
fevereiro 06, 2013
A Sociedade Portuguesa de Autores e o AO
Com atraso demasiado comentamos aqui o conteúdo do comunicado "[A] Sociedade Portuguesa de Autores não adopta o novo acordo ortográfico perante as posições do Brasil e de Angola sobre a matéria", de 2013jan09.
Neste comunicado o Conselho de Administração da SPA declara que "continuará a utilizar a norma ortográfica antiga" porque o Brasil adiou para 2016 uma decisão final sobre o assunto. Acontece que o Brasil não poderia ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o AO porque a decisão final sobre o AO já foi tomada e entrou em vigor na ordem jurídica brasileira em 2009. Aquilo que a presidente do Brasil fez foi decretar o adiamento para o final de 2015 do termo do período de transição, que deveria ter terminado em 2012. Ainda assim, deveria o CA da SPA ter também tido em consideração que, no Brasil, o AO está totalmente implementado no sistema de ensino, na comunicação social, nas edições literárias e nas diversas instâncias do poder político federal e estadual.
Ainda quanto ao Brasil, o CA da SPA não usou como fator de ponderação da sua decisão de continuar a "utilizar a norma ortográfica antiga" a a posição contrária ao prolongamento do período transitório tomada pela Academia Brasileira de Letras. Porquê?
O CA da SPA também declara que "continuará a utilizar a norma ortográfica antiga" porque em Angola as insuficiências do sistema de ensino são parcialmente camufladas com apegos a consoantes mudas. Ma só por equívoco ou distração pode uma associação cívica e profissional portuguesa, promotora e defensora do cumprimento da lei, sustentar as suas posições internas com base na incompetência mal disfarçada do Governo de Angola ou no incumprimento de um Tratado Internacional por parte de um dos signatários.
Ainda quanto a África, o CA da SPA não usou como fator de ponderação da sua decisão de continuar a "utilizar a norma ortográfica antiga" a posição da Associação dos Escritores Moçambicanos sobre o AO. Porquê?
Finalmente, sabemos que existem membros da SPA que aprovam e usam o AO, e membros que não o aprovam nem usam. No entanto, CA toma partido pela opinião de uns contra a opinião de outros. Aqui não se coloca a questão de maiorias vs minorias. O que aqui está em causa é a isenção, o respeito pela diferença, a tolerância, a defesa da liberdade de opinião. Tudo estes valores foram postos em causa precisamente por pelo órgão superior da SPA. Lamentável.
Sobre o tema:
"Os interesses corporativos e o AO";
"Os escritores moçambicanos e o AO";
"O brasileiro é um português à solta"
Neste comunicado o Conselho de Administração da SPA declara que "continuará a utilizar a norma ortográfica antiga" porque o Brasil adiou para 2016 uma decisão final sobre o assunto. Acontece que o Brasil não poderia ter adiado para 2016 uma decisão final sobre o AO porque a decisão final sobre o AO já foi tomada e entrou em vigor na ordem jurídica brasileira em 2009. Aquilo que a presidente do Brasil fez foi decretar o adiamento para o final de 2015 do termo do período de transição, que deveria ter terminado em 2012. Ainda assim, deveria o CA da SPA ter também tido em consideração que, no Brasil, o AO está totalmente implementado no sistema de ensino, na comunicação social, nas edições literárias e nas diversas instâncias do poder político federal e estadual.
Ainda quanto ao Brasil, o CA da SPA não usou como fator de ponderação da sua decisão de continuar a "utilizar a norma ortográfica antiga" a a posição contrária ao prolongamento do período transitório tomada pela Academia Brasileira de Letras. Porquê?
O CA da SPA também declara que "continuará a utilizar a norma ortográfica antiga" porque em Angola as insuficiências do sistema de ensino são parcialmente camufladas com apegos a consoantes mudas. Ma só por equívoco ou distração pode uma associação cívica e profissional portuguesa, promotora e defensora do cumprimento da lei, sustentar as suas posições internas com base na incompetência mal disfarçada do Governo de Angola ou no incumprimento de um Tratado Internacional por parte de um dos signatários.
Ainda quanto a África, o CA da SPA não usou como fator de ponderação da sua decisão de continuar a "utilizar a norma ortográfica antiga" a posição da Associação dos Escritores Moçambicanos sobre o AO. Porquê?
Finalmente, sabemos que existem membros da SPA que aprovam e usam o AO, e membros que não o aprovam nem usam. No entanto, CA toma partido pela opinião de uns contra a opinião de outros. Aqui não se coloca a questão de maiorias vs minorias. O que aqui está em causa é a isenção, o respeito pela diferença, a tolerância, a defesa da liberdade de opinião. Tudo estes valores foram postos em causa precisamente por pelo órgão superior da SPA. Lamentável.
Sobre o tema:
"Os interesses corporativos e o AO";
"Os escritores moçambicanos e o AO";
"O brasileiro é um português à solta"
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Difamação do AO90
fevereiro 05, 2013
Lindley Cintra: "As Origens do Novo Acordo"
O Ciberdúvidas disponibilizou um artigo sobre as origens do AO90 da autoria do mais importante filólogo português do século 20, Lindley Cintra, publicado no Expresso em 1986.
Um quarto de século depois, o artigo mantém-se precioso e atual.
Ler aqui.
Um quarto de século depois, o artigo mantém-se precioso e atual.
Ler aqui.
fevereiro 01, 2013
"A ordem natural das coisas é haver evolução"
Extrato de post publicado no blog "Vale o que vale":
"[P]ara mim este acordo tal como outras reformas que já existiram, são uma forma de manter a língua "viva", em evolução, a acompanhar os tempos. Se tal nunca tivesse havido, hoje em dia nem o português nem tantas outras línguas existiam, e ainda usaríamos o latim. Haveria algum problema nisso? Claro que não. O latim é uma língua como outra qualquer, mas a ordem natural das coisas é haver evolução. Se houver algo que não evolui, penso que mais cedo ou mais tarde acaba por cair no esquecimento. Ou então acontece-lhe o mesmo que aconteceu ao latim: não desapareceu, mas hoje em dia é considerada uma língua morta.
Esta é apenas mais uma reforma da nossa língua. Sim, porque ela vai continuar a ser a nossa língua. Isso ninguém nos tira. Apenas vai haver algumas palavras que vão passar a ser escritas de outra forma. Que diriam se hoje em dia caravela fosse caravella ou psicologia fosse psychologia. É que até ao início do século XX era assim que se escrevia. Calculo que na altura também tenha havido quem se insurgisse contra estas e tantas outras mais alterações introduzidas na língua portuguesa. Mas se estas alterações não tivessem sido feitas, se calhar era assim que ainda hoje escreveríamos."Texto integral aqui.
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Opinião Publicada
janeiro 29, 2013
janeiro 27, 2013
"Boa surpresa"
Depois de nos habituarmos a escrever com o novo AO, não queremos outra coisa. A anterior forma de escrever parece-me agora antiquada e até disparatada. Ao princípio, ressenti ter de escrever "recetor" e "ativo", mas agora custaria muito mais se tivesse de voltar a escrever "receptor" e "activo". Não ter de gastar aquele tempo todo a pôr pês e cês sabe muito bem. Voltar a escrever daquela maneira seria como andar de cavalo para burro.Obtido aqui
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Opinião Publicada
janeiro 23, 2013
Evolução da aplicação do AO90 nos jornais portugueses
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Adoção do AO90
janeiro 16, 2013
João Ferreira Dias em Português Grande
Extrato do post "Em Acordo Ortográfico", de João Ferreira Dias, no blog Risco Continuo:
Mais opinião publicada.
Naturalmente que a nostalgia que habita em mim prefere "actor" a "ator", "acção" a "ação", por exemplo, mas também "Pharmacia" a "Farmácia". Ora, de "Pharmacia" ninguém falava, pelo simples facto de já ter caído em desuso faz tempo. Tal significa - e este ponto é importante - que a grafia portuguesa não se manteve estanque e a forma como os meus pais aprenderam a grafar algumas palavras é diferente daquela que aprendi, trinta e tal anos depois. Portanto, a razão da recusa do acordo ortográfico por parte de inúmeros cidadãos portugueses não deverá residir num apego à originalidade da língua, porque se for essa a razão estamos mal, afinal a grafia pré-acordo é já uma degeneração do português arcaico, por exemplo, porque ou muito me engano ou já ninguém escreve nos seguintes moldes:"Razoões desvairadas, que alguuns fallavam sobre o casamento delRei Dom Fernamdo".
Desta forma, só consigo vislumbrar uma razão simples para que o Acordo Ortográfico seja visto como uma abominação - o facto de ser um acordo com o Brasil. Sendo assim, o problema nada tem a ver com a grafia mas reside antes em recantos da xefonobia e do preconceito, resultantes de processos civilizacionais mal resolvidos.Texto integral aqui.
Mais opinião publicada.
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Opinião Publicada
janeiro 08, 2013
Evolução e Situação do Acordo Ortográfico em Portugal no Início de 2013
O início do ano é um bom momento para rever a evolução e fazer o ponto da situação da aplicação do AO em Portugal.
Para uma leitura completa sobre o tema, visite esta página.
O quadro seguinte mostra a evolução da aplicação do AO no ano findo.
(clicar no quadro para aumentar)
São bem-vindas as contribuições que possam melhorar a informação prestada.
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O quadro seguinte mostra a evolução da aplicação do AO no ano findo.
(clicar no quadro para aumentar)
São bem-vindas as contribuições que possam melhorar a informação prestada.
janeiro 02, 2013
O "Correio da Manhã" Adota o AO90
O jornal português de maior expansão, com uma quota superior a 20% da circulação dos jornais generalistas diários e semanários, pagos e gratuitos, abandonou a ortografia antiga e adotou o AO90, fazendo coincidir esta decisão editorial com o início do 2013.
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Adoção do AO90
dezembro 30, 2012
"O brasileiro é um português à solta"
O Governo brasileiro decidiu prolongar em mais 3 anos o período de transição da implementação do AO, o que significa que o termo do período de transição passa de 31 de dezembro de 2012 para o final de 2015
O prolongamento do período de transição do AO no Brasil é irracional dado que a implementação do AO no país já está concluída; especial destaque para a adoção do AO em todos os níveis do poder político brasileiro, em todos os órgãos de comunicação social e em todos os graus do sistema de ensino.
O decreto que adiou a obrigatoriedade veio, portanto, mudar pouco a realidade. Porquê, então, a decisão de alterar de 2012 para 2015 o final do período transição? Tudo indica que o Governo brasileiro preferiu satisfazer a sede de protagonismo de dois senadores e de um filólogo em lugar de atender à opinião de quem trabalha, de quem conhece a realidade.
No Brasil, como em Portugal, entre o interesse comum e a fulanização opta-se demasiadas vezes pela fulanização, entre atender à opinião de quem conhece a realidade ou à opinião de quem busca protagonismos, opta-se demasiadas vezes pela opinião de quem busca protagonismos.
Com isto, o Governo brasileiro parece ter vindo dar razão a Agostinho da Silva quando um dia escreveu “o brasileiro é um português à solta"
Entretanto, e como seria de esperar, o único efeito prático da decisão brasileira de dilatar o período de transição da aplicação do AO não aconteceu no Brasil mas sim em Portugal, como se constata pelo ressurgir entre nós de quem dá voz ao lado mais negro da alma portuguesa; assim, Vasco Graça Moura voltou a alardear dislates na tentativa de tirar proveito da aparente indecisão brasileira, fazendo um apelo ao "tempo-volta-pra-trás", e pedindo o regresso ao ghetto ortográfico saudosista do Portugal do Minho a Timor.
Sobre o tema, ler no Ciberdúvidas "Sobre a Notícia da Morte do AO no Brasil"
dezembro 27, 2012
dezembro 06, 2012
"Acordem, Tolos"
"Se eu fosse falacioso e desonesto como o Pacheco [opositor confesso do AO90 e subdiretor do jornal Público] e o grupo de cidadãos que o controla, poderia dizer que o colossal número de falhas ortográficas no Público prova claramente que manter a ortografia antiga instiga ao erro grosseiro. Mas não sou. Ignorância e insuficiente domínio da língua são, infelizmente, o nosso padrão nacional. Por isso é tão ridículo ver quase analfabetos indignados porque lhes tiraram, aqui ou ali, um "c" que eles nem desconfiavam que existia."
Trecho do post "Acordem, tolos", de Artur Costa, n"O Línguado", a respeito do tratamento miserável a que a Língua Portuguesa está sujeita no jornal que promove a campanha difamatória conrtra o AO em Portugal.
outubro 24, 2012
outubro 18, 2012
A Babbel e o pedido de um leitor
Um dos nossos fans vinha pedindo (através de três comentários não publicados e de dois emails) que nos posicionássemos face à opção da Babbel de promover cursos online de ensino da variante brasileira da nossa Língua. Segundo o ele, como se não bastasse esta “afronta”, a Babbel usa também a bandeira do Brasil como logo da opção pela Língua Portuguesa.
O conteúdo dos emails e dos comentários recebidos era ofensivo e baixo – efeitos do racismo e xenofobia subjacentes às opiniões contrárias ao AO em Portugal – pelo que lhe respondemos que aceitaríamos o repto se o pedido fosse feito sem linguajar de troll. E não é que resultou?:
Vamos então cumprir a nossa parte do acordo:
A Babbel desenvolve software para o ensino em linha de Línguas, e no caso do Português optou pela variante brasileira da nossa Língua. Segue-se a nossa posição sobre o assunto.
1.A racionalidade da opção da Babbel
1.1 A decisão de investimento na produção de software para o ensino de uma Língua está ligada à rentabilidade que advém da procura. Tratando-se de Línguas internacionais, a Babbel opta pela variante em que deteta maior procura, o que, tendencialmente, corresponde à variante linguística que tem mais falantes e/ou maior projeção.
1.2. É de supor que seja por essa razão que, a Babbel (ainda) não ensina húngaro, nem checo, nem holandês da Flandres, nem Catalão, nem Alemão da Baviera. É de supor que também seja por essa razão que a Babbel ensina Alemão (na variante do Norte), Holandês (na variante do eixo Roterdão-Amsterdão), assim como ensina Indonésio, este sem variantes internacionais mas falado por 200 milhões de pessoas.
1.3. Pela conjugação dos dois aspetos acima – principal variante internacional e peso demográfico – a Babbel optou pelo ensino da variante brasileira da nossa Língua. Esta decisão não incomoda quem encara o Português como um grande idioma internacional que para merecer esse estatuto tem de rejeitar visões de ghetto ou de apartheid linguísticos.
2. O Brasil, a Língua Portuguesa, e a palavra “Português” associada a logos com a bandeira do Brasil
2.1. Sabemos que a projeção internacional que atualmente o Português tem se deve exclusivamente a ser uma Língua falada em oito países, em quatro continentes e, mais relevante ainda, ao facto de o Português ser a Língua do Brasil.
2.2. Ver a palavra “Português” associada a um logo com a bandeira de um dos maiores e mais importantes países do mundo só pode constituir para nós, portugueses, motivo de orgulho e satisfação. Quem assim não entende sofre de uma enfermidade mental geralmente conhecida por “nacionalismo acéfalo-histérico”.
2.3. É comum encontrar a palavra “English” sob o logo da bandeira americana, e até a palavra “Español” titulando logos com a bandeira mexicana. Não consta que ingleses ou espanhóis se sintam ofendidos ou ultrajados ou menorizados. Pelo contrário, é de supor que entendam esta opção como uma valorização da dimensão e projeção internacionais dos respetivos idiomas.
2.4. O Português não é propriedade de Portugal; nós, portugueses, somos apenas um dos coproprietários da terceira Língua ocidental mais falada no mundo, facto que implica, como em tudo o que se partilha, benefícios e cedências.
Esperamos ter satisfeito o nosso fan. Volte sempre, e não são precisas vénias nem flores nos emails, embora as notas musicais tenham sido apreciadas; basta apenas que faça um esforço para não ser grosseiro e terá os seus comentários publicados. Se puser de lado o rancor e o ódio, e se continuar a praticar a delicadeza e a cordialidade, um destes dias vai dar por si escrever, feliz, segundo as regras ortográficas em vigor. Isso de escrever em ortografia antiga é coisa de quem está de mal com a vida.
outubro 11, 2012
Serão estes os tais efeitos benéficos da ortografia etimológica clássica no desenvolvimento cultural e intelectual dos povos?
É possível que você já tenha lido ou ouvido algo sobre as supostas vantagens culturais e intelectuais que resultam da emprego de ortografias etimológicas clássicas (francês e inglês) na escolarização.
Vamos ver uma aplicação desta teoria.
Um conjunto de 100 franceses que se julgam habilitados a participar num concurso de cultura geral, tem de responder à pergunta "o que é que orbita em torno da Terra"; para os ajudar, são-lhes apresentadas quatro hipóteses de resposta, sendo que uma está correta.
Vamos ver uma aplicação desta teoria.
Um conjunto de 100 franceses que se julgam habilitados a participar num concurso de cultura geral, tem de responder à pergunta "o que é que orbita em torno da Terra"; para os ajudar, são-lhes apresentadas quatro hipóteses de resposta, sendo que uma está correta.
Fica sempre a hipótese de que se estes adultos não tivessem
sido obrigados em criança a decorar coisas como “orthographe” ou “different” talvez
lhes tivesse sobrado tempo e recursos para saberem hoje o que é a Lua que gira em
torno da Terra, e não o Sol..
Como foi que o Público chegou a isto?
A Sonaecom anunciou uma reestruturação no Público; destaque para o trecho seguinte do cumunicado divulgado no Público:
Como foi que o Público chegou a isto?
Chegou a isto, por exemplo, assim:
“As mesmas virgens jornalísticas que se horrorizaram com as facilidades concedidas a Miguel Relvas na obtenção da sua licenciatura convivem bem com um artigo de duas páginas que faz a apologia do facilitismo no ensino superior.”
Mas também chegou a isto porque, por exemplo, as mesmas virgens jornalísticas que promovem uma campanha difamatória contra o AO90 a que chamam “Debate” ficaram indignadas quando alguém lhes disse que "o ódio de Nuno Pacheco [subdiretor]ao AO90 é tão grande que o impediu de ver que a sua espanhola não tem as bases de conhecimento mínimas para publicar opiniões sobre ortografia da sua Língua numa folha paroquial domingueira, muito menos para publicar opiniões sobre a Língua de outros num jornal nacional."
Mas há mais. Significativamente, o comunicado do acionista está redigido e foi publicado no Público em ortografia atualizada, em claro contraponto com a linha editorial estabelecida pela maioria da Direção que impõe ao jornal e aos jornalistas o uso de ortografia antiga.
Este facto constitui uma forma implícita de o acionista evidenciar porque motivo a atual Direção foi incapaz de manter o Público como jornal de referência; na verdade, tal como nas questões políticas, também na questão ortográfica o Público foi transformado num pasquim dedicado à divulgação e promoção da mundovisão obtusa e das questiúnculas facciosas de uns poucos.
Com o imperativo de assegurar a sustentabilidade, sem comprometer o seu papel como referência independente de informação em Portugal, o PÚBLICO irá levar a cabo um projeto de reestruturação.
Este plano consistirá no reforço e adequação de competências, onde se inclui a maior orientação para as crescentes exigências do mundo digital, e na redução da estrutura de custos em cerca de 3,5 milhões de euros por ano, com a diminuição de custos de funcionamento e previsível saída de 48 colaboradores.
Como foi que o Público chegou a isto?
Chegou a isto, por exemplo, assim:
“As mesmas virgens jornalísticas que se horrorizaram com as facilidades concedidas a Miguel Relvas na obtenção da sua licenciatura convivem bem com um artigo de duas páginas que faz a apologia do facilitismo no ensino superior.”
Mas também chegou a isto porque, por exemplo, as mesmas virgens jornalísticas que promovem uma campanha difamatória contra o AO90 a que chamam “Debate” ficaram indignadas quando alguém lhes disse que "o ódio de Nuno Pacheco [subdiretor]ao AO90 é tão grande que o impediu de ver que a sua espanhola não tem as bases de conhecimento mínimas para publicar opiniões sobre ortografia da sua Língua numa folha paroquial domingueira, muito menos para publicar opiniões sobre a Língua de outros num jornal nacional."
Mas há mais. Significativamente, o comunicado do acionista está redigido e foi publicado no Público em ortografia atualizada, em claro contraponto com a linha editorial estabelecida pela maioria da Direção que impõe ao jornal e aos jornalistas o uso de ortografia antiga.
Este facto constitui uma forma implícita de o acionista evidenciar porque motivo a atual Direção foi incapaz de manter o Público como jornal de referência; na verdade, tal como nas questões políticas, também na questão ortográfica o Público foi transformado num pasquim dedicado à divulgação e promoção da mundovisão obtusa e das questiúnculas facciosas de uns poucos.
outubro 04, 2012
Rui M.V.Duarte: das falácias à contumácia
Rui Duarte volta a ter um lugar na campanha de difamação do AO promovida pelo subdiretor do Público, e a ocasião foi aproveitada para responder a este post do em Português Grande. Teria ficado bem a Rui Duarte a frontalidade de Nuno Pacheco que, preto no branco, disse ao que vinha e porquê quando respondeu a um post nosso através de um artigo do Público com o título “Então não é que me arranjaram uma espanhola?“
Rui Duarte insiste na falácia etimológica, mas desta vez ele não cai na “asneira” de escrever que não sabe "como pôr um aluno da escola básica e secundária portuguesa a relacionar ação (ainda vá, tem um "c"), agente, agir, com ator? Ou atividade? Sem "c" nem "g"?" Não. Rui Duarte percebeu a irracionalidade do argumento, como aqui expusemos, o tal argumento que “não vale um caracol” como advertiu António Emiliano dirigindo-se aos opositores ao AO que insistem na falácia etimológica.
Em lugar disso, desta vez Rui Duarte puxa (mas pouco) pelo peso emotivo da etimologia muda numa ortografia simplificada, uma espécie de tentativa de chamar metal precioso a pechisbeque, tanto mais que as consoantes mudas eliminadas pelo AO90 foram mantidas na ortografia de 1911 por suposto valor fonético e não por razões etimológicas.
Portanto, Rui Duarte rapidamente deixa para trás a falácia etimológica e prefere aninhar-se na falácia das consoantes mudas diacríticas aproximando-se da argumentação de António Emiliano e usando expressamente como referencial a reforma ortográfica de 1945.
Como não há argumentação anti AO sem recurso a uma ou mais omissões, Rui Duarte omite as alterações à ortografia trazidas pelo Acordo Ortográfico de 1971 com o Brasil. Em consequência deste Acordo, decretado em Portugal dois anos depois da sua assinatura, o Português ficou um pouco mais fonológico. A pegada fonológica da ortografia portuguesa posterior a 1973 é, por si só, facto bastante para desmontar a falácia das consoantes mudas diacríticas.
Concretizando; se Rui Duarte acha que em Portugal se deixará de pronunciar corretamente “afetar” ou “teto” porque deixámos de escrever “afectar” ou “tecto”, então como justifica ele que pronunciemos “pregar”, “cerco”, “acordo” ou “somente”, tal e qual como se pronunciava há quarenta anos quando se escrevia “prègar”, “cêrco”, “acôrdo” ou “sòmente”?. Genericamente: é razoável supor que a perda de consoantes mudas vá fazer agora às pronúncias portuguesas aquilo que a perda de acentos diacríticos não fez em quarenta anos?
E esta é a altura de pedir a Rui Duarte para não ter medo, como pedimos ao nosso Pedro Afonso, e aproveitar para lhe sugerir que faça o exercício que propusemos ao Pedro Afonso quando o mandámos estudar e que tanto o ajudou na compreensão do problema:
Acreditamos que Rui Duarte compreende as falácias filológicas em que incorre, que compreende que não pode tentar demonstrar o valor de uma opinião omitindo factos que demonstram a sua falsidade, ou fazendo como um cura dos antigos que demonstrava que o Sol andava à volta da Terra recorrendo aos testemunhos dos seus fregueses, como Rui Duarte faz quando relata no seu artigo as respostas que uns amigos lhe deram. É, pois, de esperar que continue a recorrer às falácias filológicas e à negação da realidade no seu percurso de opositor ao AO90.
Só resta declarar Rui Duarte contumaz, mas apenas até ao dia em que ele abandonar as falácias filológicas e passar à argumentação ideológica contra o AO90, aquela que, de facto, tem discussão possível.
Rui Duarte insiste na falácia etimológica, mas desta vez ele não cai na “asneira” de escrever que não sabe "como pôr um aluno da escola básica e secundária portuguesa a relacionar ação (ainda vá, tem um "c"), agente, agir, com ator? Ou atividade? Sem "c" nem "g"?" Não. Rui Duarte percebeu a irracionalidade do argumento, como aqui expusemos, o tal argumento que “não vale um caracol” como advertiu António Emiliano dirigindo-se aos opositores ao AO que insistem na falácia etimológica.
Em lugar disso, desta vez Rui Duarte puxa (mas pouco) pelo peso emotivo da etimologia muda numa ortografia simplificada, uma espécie de tentativa de chamar metal precioso a pechisbeque, tanto mais que as consoantes mudas eliminadas pelo AO90 foram mantidas na ortografia de 1911 por suposto valor fonético e não por razões etimológicas.
Portanto, Rui Duarte rapidamente deixa para trás a falácia etimológica e prefere aninhar-se na falácia das consoantes mudas diacríticas aproximando-se da argumentação de António Emiliano e usando expressamente como referencial a reforma ortográfica de 1945.
Como não há argumentação anti AO sem recurso a uma ou mais omissões, Rui Duarte omite as alterações à ortografia trazidas pelo Acordo Ortográfico de 1971 com o Brasil. Em consequência deste Acordo, decretado em Portugal dois anos depois da sua assinatura, o Português ficou um pouco mais fonológico. A pegada fonológica da ortografia portuguesa posterior a 1973 é, por si só, facto bastante para desmontar a falácia das consoantes mudas diacríticas.
Concretizando; se Rui Duarte acha que em Portugal se deixará de pronunciar corretamente “afetar” ou “teto” porque deixámos de escrever “afectar” ou “tecto”, então como justifica ele que pronunciemos “pregar”, “cerco”, “acordo” ou “somente”, tal e qual como se pronunciava há quarenta anos quando se escrevia “prègar”, “cêrco”, “acôrdo” ou “sòmente”?. Genericamente: é razoável supor que a perda de consoantes mudas vá fazer agora às pronúncias portuguesas aquilo que a perda de acentos diacríticos não fez em quarenta anos?
E esta é a altura de pedir a Rui Duarte para não ter medo, como pedimos ao nosso Pedro Afonso, e aproveitar para lhe sugerir que faça o exercício que propusemos ao Pedro Afonso quando o mandámos estudar e que tanto o ajudou na compreensão do problema:
“Nas palavras seguintes, assinala as que têm pré tónica fechada, as que têm pré tónica aberta, e diz a importância que tem uma consoante muda para indicar a pronúncia correta em todas elas: bebé, actuar, caveira, vexame, especado, exactidão, tactear, pateta, dilação”.
Acreditamos que Rui Duarte compreende as falácias filológicas em que incorre, que compreende que não pode tentar demonstrar o valor de uma opinião omitindo factos que demonstram a sua falsidade, ou fazendo como um cura dos antigos que demonstrava que o Sol andava à volta da Terra recorrendo aos testemunhos dos seus fregueses, como Rui Duarte faz quando relata no seu artigo as respostas que uns amigos lhe deram. É, pois, de esperar que continue a recorrer às falácias filológicas e à negação da realidade no seu percurso de opositor ao AO90.
Só resta declarar Rui Duarte contumaz, mas apenas até ao dia em que ele abandonar as falácias filológicas e passar à argumentação ideológica contra o AO90, aquela que, de facto, tem discussão possível.
setembro 26, 2012
Nuno Pacheco: um desmentido, muitos equívocos, lógicas de “acampada” e um agradecimento
Primeiro, o desmentido: o subdiretor do Público, Nuno Pacheco, diz que não arranjou uma espanhola.
O subdiretor do Público acha que o AO90 é "mau" porque 6 (seis) palavras que antes tinham ortografia idêntica em Portugal e no Brasil agora que se escrevem de forma diferente. Mas omite o facto de cerca de 10,000 palavras que antes tinham ortografia diferente em Portugal e no Brasil agora se escrevem de forma idêntica. Uma vez mais, a “lógica da acampada” para demonstrar a existência de maldades imaginadas.
Desfeito o boato, vêm os equívocos, as confusões.
O subdiretor do Público refere que há filólogos,
escritores, jornalistas, políticos, etc que estão contra o AO90, logo, o AO90 é “mau”. Mas omite de que há filólogos,
escritores, jornalistas, políticos, etc que estão a favor do AO90, o que, pelo mesmo
critério, faz do AO90 “bom”. Não deve um jornalista e um jornal referir todas as perspetivas e opiniões com profissionalismo, transparência e isenção (a tal "ética jornalística") e deixar ao critério dos seus leitores as conclusões sobre um determinado tema, qualquer tema, todos os temas, incluindo o AO90?
O subdiretor do Público inclui António Emiliano e Rui Ventura Duarte nos especialistas que se opõem ao AO; mas omite que um deles acha que os argumentos do outro sobre o tema não valem um caracol e, de facto, tem toda a razão.
O subdiretor do Público acha que por fomos delegantes
porque escrevemos que Eça falava em espanholas mas não as punha a falar. No entanto, ele não acha deselegante permitir que uma espanhola use o Público para pedir para a nossa Língua o que não quer
para a Língua dela; não acha deselegante que uma espanhola, que se auto reconhece incompetente no tema, use o Público para deturpar factos
sobre o AO e até sobre a sua própria Língua; não acha deselegante que o Público
promova uma campanha de difamação do AO a que chama “debate” para que
apenas convida quem tem opinião desfavorável.
Conclusão: o subdiretor do Público está para as lições de elegância sobre "espanholas" como o hipopótamo para as lições de elegância sobre "como comer de boca fechada".
Conclusão: o subdiretor do Público está para as lições de elegância sobre "espanholas" como o hipopótamo para as lições de elegância sobre "como comer de boca fechada".
O subdiretor do Público relembra que 87 delegações internacionais
do PEN se mostraram recentemente desfavoráveis ao AO90; mas omitiu que, obviamente, se
equivocaram porque sugeriram como bons exemplos de respeito pela diversidade linguística - que devem ser seguidos pela Língua Portuguesa - precisamente duas Línguas internacionais com ortografia uniformizada; ver: O PEN Internacional sugere que a Língua portuguesa deve retomar o anteriorestatuto de inferioridade face às outras Línguas internacionais recuando na aplicação do AO90.
O subdiretor do Público acha que depois do AO cada um escreve como quer. Mas isto não é verdade porque as facultatividades trazidas pelo AO estão inequivocamente delimitadas, e nada têm a ver com os exemplos publicados. Acresce que, antes como depois do AO90, já existiam vocábulos que se grafavam de forma diferente em função da pronúncia. Sugestão: para evitar esta e outras confusões e mentiras sobre AO, ver: "Falácias frequentes sobre o AO90", ponto 4.
O subdiretor do Público inclui entre os "especialistas” que estão contra o AO90 o nosso Pedro Afonso, dirigente da AEIST. Mas é preciso ver melhor se é assim porque o Pedro Afonso foi estudar, e por esta altura ele é bem capaz de já ter percebido que afinal andavam a enganá-lo, a meter-lhe medo; quem quiser perceber porquê, pode ler: NãoTenhas Medo, Pedro.
O subdiretor do Público acha que a vontade da maioria dos membros da AEIST está para a vontade dos "estudantes do Técnico" como a assembleia "popular" do Rossio para a vontade dos habitantes deste país. Nada de surpreendente, já se tinha percebido que a oposição ao AO em Portugal se faz com lógicas de “acampada”.
O subdiretor do Público inclui entre os "especialistas” que estão contra o AO90 o nosso Pedro Afonso, dirigente da AEIST. Mas é preciso ver melhor se é assim porque o Pedro Afonso foi estudar, e por esta altura ele é bem capaz de já ter percebido que afinal andavam a enganá-lo, a meter-lhe medo; quem quiser perceber porquê, pode ler: NãoTenhas Medo, Pedro.
O subdiretor do Público acha que a vontade da maioria dos membros da AEIST está para a vontade dos "estudantes do Técnico" como a assembleia "popular" do Rossio para a vontade dos habitantes deste país. Nada de surpreendente, já se tinha percebido que a oposição ao AO em Portugal se faz com lógicas de “acampada”.
O subdiretor do Público acha que o AO90 é "mau" porque 6 (seis) palavras que antes tinham ortografia idêntica em Portugal e no Brasil agora que se escrevem de forma diferente. Mas omite o facto de cerca de 10,000 palavras que antes tinham ortografia diferente em Portugal e no Brasil agora se escrevem de forma idêntica. Uma vez mais, a “lógica da acampada” para demonstrar a existência de maldades imaginadas.
Expostas as confusões, segue-se um agradecimento: no domingo e na 2af o Sitemeter indicou um aumento anormal de visitas ao blog vindas do Google sob a pesquisa “Em Português
Grande”. Confesso que só ontem percebemos porquê. Pois aqui fica o mais que merecido agradecimento ao Público, e muito em particular ao seu subdiretor, que me parece justo que tratemos por amigo, por esta oportunidade (particularmente deliciosa) de dar a conhecer a muitos uma visão maior da nossa Língua. Em retribuição, oferecemos-lhe uma musiquinha, e em espanhol.
setembro 24, 2012
“ATIV”; a SAMSUNG aderiu às vantagens fonéticas e gráficas da Língua Portuguesa

A ideia foi procurar uma designação que indiciasse as
qualidades que o fabricante associa à gama: simples, poderoso, belo. Por
alguma (boa) razão, os responsáveis de marketing perceberam que “ATIV” é melhor
que “ACTIV”.
Em jeito de graça, pode bem dizer-se que a SAMSUNG descobriu
agora o que a Língua portuguesa descobriu há séculos; de facto uma das
principais caraterísticas evolutivas e identitárias do Português é a rejeição
das sequências consonânticas.
Exemplos: respectare>respeitar, septimo>sétimo, damnu>dano, signale>sinal,
contractu>contrato, activus>ativo.
Parece que na SAMSUNG também há quem goste do AO90 e do
Português.
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