maio 22, 2012

AE.IST: “Mexihão” ou “Mechilão”, “Berbigão” ou “Brebigão”? A culpa é do AO!

É sempre com alguma deceção que vemos alguns dos mais novos virar costas ao futuro, fazer apelos à manutenção de ghettos e alinhar com os setores políticos mais xenófobos da sociedade portuguesa. Foi isso mesmo que a Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico fez ao aprovar uma moção contra a adoção do AO no IST.

Como quase todos percebem, incluindo alguns dos membros da AE.IST que votaram contra a unidade da Língua Portuguesa, estar contra o futuro não afeta o futuro, afeta apenas aqueles que lhe viram costas.

Ora, em lugar de fazer votações aprovando e apelando ao virar para trás da página do calendário, seria mais interessante, mais ajuizado e sobretudo mais eficaz, que a AE.IST votasse uma proposta apelando ao fim da boçalidade, grosseria e da violência nas chamadas praxes académicas como aquela que pode ser vista no vídeo abaixo protagonizadas por alunos do IST.


Ao certo não sabemos quantos dos alunos do IST que se podem ver e ouvir no vídeo são contra o AO. Mas a avaliar pela propensão para coreografias grotescas e obscenidades verbais com bivalves à mistura, é de admitir que muitos não saibam se se escreve “mexilhão” ou “mechilão”, “berbigão” ou “brebigão”, e que alguns imaginem que a culpa é do Acordo Ortográfico.

Também com cenas e figuras tristes se faz a oposição ao Acordo Ortográfico em Portugal.

abril 27, 2012

Desmontando a Falácia Filológica


A etimologia é um dos três fundamentos em que assenta a oposição à adoção e implementação do AO90 em Portugal.

A este respeito, os argumentos usados por António Emiliano numa das suas notas sobre  AO publicadas no Facebook (também referida aqui) assumem relevância e significado maiores porque são emitidos por um especialista na matéria e opositor ao AO. Selecionámos o trecho seguinte (sublinhados nossos):
O problema “técnico” principal desta hedionda Base IV devoradora de letras e brasilificadora do português língua escrita não é etimológico, como clamam alguns desacordistas.
[…]
A matriz ortográfica greco-latina da língua portuguesa há muito que foi desfigurada por decreto (e cá continuamos, escrevendo português, de forma menos bela e adequada, mas português quand-même): invocar a dita matriz greco-latina é argumento que não vale um caracol na presente controvérsia e só serve para alimentar a imagem negativa que os acordistas gostam de dar a quem lhes faz frente.

O citado  reserva-se o direito de mudar de opinião, pelo que o conteúdo transcrito corresponde à opinião publicada nesta data.

A Essência da Oposição ao AO em Portugal: Aversão à Lusofonia


… ou dois esboços por mão própria da Falácia Proprietária anti AO em Portugal

(1)
Miguel Támen, professor na universidade de Letras de Lisboa, deu uma entrevista ao jornal digital i desassombrada sobre a razão mais profunda que move os poucos mas bem colocados opositores ao AO90 em Portugal. A este respeito, destacamos as duas respostas seguintes (sublinhados nossos):
P: Qual a sua posição no que diz respeito ao AO?
R: Há pessoas que dizem que o acordo é mau porque foi tecnicamente mal feito; há outros que consideram que o acordo é mau porque é inválido e porque, juridicamente, não está em vigor; há ainda as pessoas que criticam o acordo como erro político, uma cedência a países terceiros; aqueles que são contra por entenderem que o acordo é ineficaz, por não existir um modo exequível ou prático de o implementar; e, por fim, os que o rejeitam por acharem que coisas como a língua não devem ser objecto de legislação e acordos. Percebo todas estas posições e concordo essencialmente com a última, mas a minha objecção principal não coincide com nenhuma destas.
P: Qual é então essa sua principal objecção?
R: Eu acho que o acordo é mau porque a ideia de lusofonia é má. Na minha opinião, tudo o que invoque a noção de lusofonia me parece deplorável.
(2)
António Emiliano, professor na U.Nova de Lisboa, tem uma opinião similar sobre o assunto; no que respeita à oposição ao AO, há que distinguir entre o lateral do fundamental, o acessório do essencial, como se constata no extrato seguinte (sublinhados nossos);
Com todos os problemas que a ortografia portuguesa em vigor possa ter — e tem-nos de facto e muitos e muito graves — não se mexe numa ortografia estabilizada [...] sem, acima de tudo, se acautelar o INTERESSE NACIONAL, que, no caso vertente, não reside alhures, p. ex. em terras de África ou de Vera Cruz.
O trecho acima foi retirado desta nota sobre o AO no mural do citado no Facebook. O autor reserva-se o direito de mudar de opinião, pelo que a transcrição corresponde à opinião publicada nesta data.

abril 25, 2012

Declarações do Secretário de Estado da Cultura sobre o Acordo Ortográfico

Declarações de José Manuel Viegas, Secretário de Estado da Cultura, sobre o Acordo Ortográfico proferidas aquando da inauguração da 82ª edição da Feira do Livro de Lisboa:
Portugal subscreveu o acordo ortográfico, é um dos signatários, ele está em vigor. Neste momento só dois países, Angola e Moçambique, ainda não o ratificaram. As indicações que temos das cimeiras de Luanda, é que a posição de Angola e Moçambique será definida agora. Isto é: será definido o modo como vão ratificar o acordo. Mas a indicação que temos é de que o vão ratificar”, afirmou o secretário de Estado da Cultura. “Não há revisão. O acordo é um instrumento legal e foi ratificado por parlamentos de diferentes países. O que pode haver, e isso está consignado na lei, é a possibilidade de se fazerem acertos no Vocabulário Ortográfico Comum. Será apresentada uma versão beta, ainda durante este ano, e até 2014 estará encerrado. Repare, ainda nem sequer estão incluídas no Vocabulário Ortográfico Comum as contribuições de Angola e Moçambique. Nessa matéria é que há abertura. Agora o AO está em vigor.
Fonte: Público: [1] e [2].
Notícia relacionada: Sol.

abril 23, 2012

A Igreja Católica e o Acordo Ortográfico


A Igreja Católica foi uma das entidades pioneiras na adoção do Acordo Ortográfico em Portugal. O Livro de Estilo da Agência Ecclesia revisto em abril de 2011 já foi redigido na norma ortográfica atual. No que respeita aos comunicados da Conferência Episcopal Portuguesa, o último na ortografia antiga foi publicado em maio de 2011 e o primeiro na ortografia atualizada foi publicado em setembro também do ano passado.

Assim, é com algum interesse que acompanhamos a dissociação da Rádio Renascença (que ainda não adotou o AO nos conteúdos do seu website) das diretrizes emanadas pela cúpula da Igreja Católica portuguesa.

abril 17, 2012

VGM + AO + 1 = Surpresa n+1

Já sentíamos todos - apoiantes ou difamantes da internacionalidade da Língua portuguesa - a falta de opiniões surpreendentes do Dr.Vasco Graça Moura sobre a aplicação do AO em Portugal. E VGM correspondeu uma vez mais às expetativas em artigo de opinião publicado no DN do passado dia 11 e de que só hoje tomamos conhecimento.

No artigo, VGM sugere uma vez mais que Portugal retroceda na aplicação do AO. Isto não é novidade, novidade é a justificativa. Desta vez, e na opinião do articulista, a respeito do cumprimento dos compromissos internacionais assumidos, Portugal não deve acompanhar o Brasil; deve, isso sim, comportar-se como uma conhecida república africana!!!

No que concerne às opiniões emitidas sobre o AO, o Dr.Vasco Graça Moura tem o condão de deixar todos - apoiantes ou difamantes da internacionalidade da Língua Portuguesa - igualmente felizes.

abril 13, 2012

O AO na Administração Pública – Maus Exemplos

Apesar do bom exemplo público referido aqui, por vezes os maus exemplos vêm precisamente daqueles que deviam liderar a mudança, nos termos inscritos na sua própria Missão institucional.

Três meses depois da obrigatoriedade de uso do AO na Administração Pública, a AMA - Agência para a Modernização Administrativa mantém os conteúdos do seu portal eletrónico em ortografia desatualizada, exceto os conteúdos inseridos a partir de 2012 e os documentos datados anteriores a 2012.
A imagem abaixo ilustra a situação (os sublinhados a vermelho são nossos):


Convém lembrar que:
-a atualização ortográfica dos portais eletrónicos pode ser um procedimento automático, bastando para o efeito usar as ferramentas informáticas disponíveis;
-o Portal do Cidadão é um recurso eletrónico gerido pela AMA, e já aqui havíamos notado a adoção tardia do AO naquele portal de tanta visibilidade e que, supostamente, deveria constituir um exemplo público de destreza no tratamento desmaterializado de informação na AP.

É caso para dizer que, para a AMA, modernização administrativa sim, mas tarde e devagarinho.

O AO na Administração Pública – Bons Exemplos

Desde o início do ano que todas as instituições públicas da administração direta e indireta do Estado estão a aplicar o AO nos novos documentos ou novos conteúdos eletrónicos. Ainda assim, são notórios a falta de competência e o desleixo de muitas Direções Superiores de organismos públicos no que respeita à atualização ortográfica dos todos os conteúdos em linha, com a óbvia exclusão de documentos emitidos antes de 2012.

Mas nem tudo é desleixo e/ou incompetência, como comprova o IGP - Instituto Geográfico Português, IP.

O IGP reviu e atualizou a ortografia de todo o seu site institucional. Na figura seguinte, imagem de uma página cuja atualização ortográfica não corresponde à inserção de conteúdos novos, mas sim a uma revisão efetuada com o propósito expresso de aplicar a legislação em vigor sobre o tema (os sublinhados a azul são nossos):



A atualização de páginas eletrónicas institucionais é um procedimento simples e pode ser efetuado automaticamente. Trata-se apenas de uma questão de brio dos responsáveis superiores.

abril 11, 2012

Declarações do Primeiro-Ministro Sobre o AO90

Declarações do primeiro-ministro sobre o AO proferidas a 10 abril 2012 na Escola Portuguesa de Maputo no âmbito da sua visita oficial a Moçambique:
"Passos Coelho foi questionado pelos jornalistas sobre a ratificação do novo Acordo Ortográfico por Moçambique e por Angola, e já rubricado pelo Brasil e por Portugal.
"As alterações às regras ortográficas causam sempre desconforto. Em Portugal também têm causado algum desconforto, mas elas podem ser importantes, sobretudo, quando olhamos para a importância que está para além dessas regras, do uso da língua, que vai desde o Brasil até Timor", disse o primeiro-ministro.
"Estamos a falar de 250 milhões de falantes, que falam de forma diferente. Estou convencido que, quer em Moçambique, quer em Angola, encontraremos forma de fazer uma ratificação mais pronta deste acordo ortográfico", declarou."
Fonte: Dinheiro Vivo

abril 05, 2012

Não-Notícia (3) – “Mãe Põe em Causa Aplicação do Acordo Ortográfico nas Escolas”

O Público divulgou que a mãe de uma criança de sete anos não quer que a filha aprenda a ler e escrever segundo a norma ortográfica em vigor. A partir daqui o Público faz uma "notícia" com o título "Mãe põe em causa aplicação do acordo ortográfico nas escolas em carta dirigida a Crato".

Portanto, para o Público as cartas com reclamações particulares enviadas aos ministros são notícia. É também notícia anunciar que o sistema escolar está posto em causa com base em opiniões e interpretações enviesadas da lei e da realidade comunicadas ao jornal por um qualquer cidadão.

A respeito do AO, o Público retoma o histerismo de outras não-notícias [1] [2] e empenha-se em confundir moinhos de vento com gigantes.

Se o Público estivesse disponível para difundir outras não-notícias sobre o sistema de educação com base em visões quixotescas da legalidade seria de esperar que brindasse os leitores com títulos do tipo:
- Mãe vegetariana põe em causa a legalidade das refeições com carne servidas nas cantinas escolares:
- Pai muçulmano põe em causa a legalidade das turmas mistas nas escolas;
- Primo de aluna menor fumadora põe em causa a legalidade de interdição de fumar dentro dos perímetros escolares;
- Avô membro da comunidade Pio X põe em causa a legalidade do ensino do heliocentrismo às crianças.


Há, no entanto, um dado na não-notícia do Público que, esse sim, tem toda a relevância: foram dirigidas 10 (dez) cartas ao Ministério da Educação em protesto contra a aplicação do AO no ano letivo 2011/12. A partir daqui, haveria que comparar este número (10) com o número de alunos que frequentam os sistemas de ensino básico e secundário: 1,700,000 (um milhão e setecentos mil) alunos.

O Público poderia ter aproveitado os factos, e não as opiniões, para construir uma notícia em lugar amplificar desproporcionadamente as rancorosas vozes anti AO em Portugal. Nesse caso o título seria: “É irrelevante o número de encarregados de educação que contesta a aplicação do AO no sistema de ensino”.


O ódio cega, como se comprova pela ausência de ética jornalística no Público face ao AO90.

março 29, 2012

Outra Vez as Falácias Filológicas e Legalistas de VGM

Vasco Graça Moura, o mais mediático opositor ao AO em Portugal, deu uma entrevista escrita ao site da Globo (link). O atual presidente do CCB repetiu as falácias filológicas e legalistas esgotadas e já exaustivamente expostas em Portugal.


Falácias Filológicas
"Se o acordo fosse adoptado, em menos de uma geração a pronúncia de muitas palavras ficaria desfigurada em Portugal e nos países em que ela é falada, com excepção do Brasil. Todo o sistema de abertura das vogais que antecedem, na grafia actual, as impropriamente chamadas consoantes mudas, seria afectado."
Falso. A pronúncia de vogais ou de consoantes está ligada à aprendizagem da fala e não ao uso ortográfico. A demonstrá-lo está a grande diversidade de pronúncias em Portugal apesar de, desde sempre, o pais ter tido uma ortografia comum. Assim, no norte do país as pessoas dizem “labar” apesar de escreverem “lavar”, em Lisboa dizem “pâxe” apesar de escreverem “peixe”, no sul dizem “sê” apesar de escreverem “sei”, etc, etc, etc.

No que respeita especificamente às átonas abertas, a sua pronúncia não depende da existência de consoante muda que as assinale. Sendo certo que esta crença filológica tem pelo menos cem anos, está há muito demonstrada como falsa atendendo à existência de vogais átonas que são pronunciadas fechadas apesar de serem seguidas de consoante muda (ex: actriz, actual, actuar, exactidão, tactear), assim como pela ocorrência de inúmeras vogais átonas pronunciadas abertas sem que seja necessária a existência de uma consoante muda para indicar a pronúncia correta (ex: distração, especular, inflação, invasão, supletivo).


Falácias Legalistas
Questionado sobre a legalidade da interrupção da aplicação do AO no CCB, o entrevistado respondeu: "Quem comete a ilegalidade é quem está a aplicar o acordo. Qualquer constitucionalista poderia ter informado o governo de que o acordo, enquanto tratado internacional, não entrou em vigor na ordem jurídica internacional por não ter sido ratificado por Angola e Moçambique."
Falso. O AO entrou em vigor na ordem jurídica internacional no momento em que foi ratificado por três dos países signatários, nos termos fixados no protocolo modificativo de 1994 assinado por todos os países lusófonos. A vigência internacional do AO não pode ser confundida com ratificação nacional. O facto de Angola e Moçambique ainda não terem ratificado o AO significa simplesmente que o AO não entrou na ordem jurídica interna desses países, o que não interfere com a validade internacional do documento, muito menos com a ordem jurídica nacional dos países que ratificaram o AO.

Mais ainda, nenhum constitucionalista poderia ter notificado o Governo da inconstitucionalidade da entrada em vigor do AO em Portugal simplesmente porque não existe qualquer inconstitucionalidade para assinalar. De resto, se houvesse algum constitucionalista que subscrevesse a falácia legalista, certamente que o entrevistado teria aproveitado a ocasião para o nomear já que até hoje nunca o fez.

VGM declarou ainda que o AO não pode estar em vigor porque “o seu artigo 2 obriga à elaboração de um Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa, com intervenção de todos os países signatários”. Ora, o artigo referido não constitui uma condição nem uma obrigação prévia para a entrada em vigor do AO. As falácias legalistas subsequentes na resposta à Globo evidenciam um VGM distante da realidade e justificam o seu isolamento sobre esta matéria em Portugal.


Desengano dos Opositores ao AO em Portugal

Na sua faceta xenófoba, um dos argumentos dos opositores ao AO em Portugal assenta na pretensa propriedade portuguesa da Língua. Sobre este assunto, e por uma vez, VGM desengana os seus seguidores e denuncia a Falácia Proprietária dos opositores ao AO, como se constata na resposta seguinte:
O Globo: Muitos opositores do acordo em Portugal dizem que a língua é dos portugueses. O que o senhor acha dessa afirmação? 
VGM: Não tem pés nem cabeça. A língua portuguesa é património de todos que a falam como língua nacional.

março 28, 2012

"Angola Não É Vossa", disse "Ele"

Em declarações à Lusa, o diretor do gabinete de apoio à CPLP, do Ministério das Relações Exteriores de Angola, Oliveira Encoge, disse que o Acordo Ortográfico é "bem-vindo para Angola, porque representa uma mais-valia para a língua".
"A questão de Angola é uma questão simples. Angola quer ver grafados no acordo aquilo que é contribuição das suas línguas nacionais, à semelhança do que o Brasil fez com o português brasileiro e à semelhança do que Timor também já introduziu", afirmou. [... ] "Nós somos parte do acordo, nós assinámo-lo em 1990, mas não o ratificámos", salientou [Oliveira Encoge].
A notícia completa pode ser lida aqui sob o enganador título "Angola quer alterações ao Acordo Ortográfico"; seria mais adequado "Angola quer enriquecimento do Acordo Ortográfico".

Resumindo:
- Para Angola, o AO é uma mais-valia para a Língua portuguesa;
- Antes de ratificar o AO, Angola quer acrescentar-lhe palavras de origem angolana, como aconteceu com Timor e com a Galiza;
- A não ratificação do AO por Angola não corresponde a um pedido de revisão do conteúdo do AO assinado por representantes do país, como tem vindo a ser insinuado pelo "Jornal de Angola".
- Com estas declarações do representante do Governo angolano, os poucos que em Portugal apostam na perpetuação de ghettos linguísticos e no ódio ao Brasil, agarrando-se à "boia" da suposta rejeição do AO por Angola, ficaram hoje (ainda) mais isolados que ontem.

Notícia relacionada: "Angola favorável à aplicação do novo acordo ortográfico"; Angop; 2012/03/28.


março 26, 2012

"Angola é Vossa" disse "Ele".

Em artigo publicado ontem, o Jornal de Angola parafraseou uma vez mais as teses xenófobas daqueles que em Portugal perdem diariamente a guerra dos muros na Língua Portuguesa enquanto destilam ódio ao Brasil.

Visto de Portugal, a propaganda isolacionista do JA contra o AO90 relembra o velho lema “Angola É Nossa”. Com artigos deste teor, o Jornal de Angola assemelha-se a um Boletim Cultural Ultramarino, uma publicação mais aprorpriada a uma colónia do que a um país independente.


"Boletins Ultramarinos" à parte, há coisas que dão má reputação a qualquer um, como esta:
"Angola assinou o novo acordo ortográfico, mas, por razões de ordem, essencialmente, científica e cultural, ainda não o ratificou e tem todo o direito de querer voltar a discuti-lo, pelo facto de, em alguns aspectos, não se rever nele. "

Quem confiará num Estado que assina um compromisso internacional hoje sabendo-se que mais à frente declara que "tem todo o direito de voltar a discuti-lo pelo facto de em alguns aspectos não se rever nele"? É bom ter presente que Angola assinou o AO em 1990, assim como os protocolos modificativos de 1998 e 2004.

Este é o tratamento que o Jornal de Angola reserva ao Acordo Ortográfico: muita conversa de complexo invertido de ex-colonizado por parte de jornalistas oficiosos que declaram o Estado angolano como entidade não fiável.


março 25, 2012

Tributo a Valentim Paz-Andrade


Via AGLP, recordatória da participação e contribuição da delegação galega no Encontro Internacional para a Unificação da Língua Portuguesa, realizado em 1986 no Rio de Janeiro: Tributo a "Valentim Paz-Andrade, vice-presidente da Comissão para a Integração da Língua da Galiza no Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro em 1986."

março 22, 2012

Opositor Modelo ao AO


Neste post, o Jorge Fiel (JF) evidencia duas caraterísticas geralmente observadas nos opositores ao Acordo Ortográfico:

Intolerância para usos estranhos ao ghetto; o JF tem relutância em aceitar os aportes lexicais ou outros com origem exterior ao seu ghetto linguístico. Aparentemente ele não sabe que a diversidade da origem lexical é comum a todas as Línguas e é sobretudo uma caraterística fundamental das Línguas internacionais. Parece também que nem desconfia que “no vocabulário que a gente comum usa” (sic) existem inúmeras palavras com origem em Línguas nativas da América, de África e da Ásia. Convenhamos, essas coisas vêm do tempo em que Portugal foi grande e os portugueses não tinham medo de enriquecer o idioma com vocábulos dos lugares distantes onde chegaram os portugueses e a Língua Portuguesa..

Ignorância sobre o AO90; ao contrário do que o JF julga saber, o AO não pretende pôr fim às variantes de uma mesma palavra. De resto, não é preciso fazer comparações com palavras usadas no Brasil, temos exemplos suficientes entre nós. Na verdade, não só temos variantes fonéticas aceites da mesma palavra (ex: bêbado/bêbedo, cobarde/covarde, rotura/ruptura), mas também temos palavras diferentes para um mesmo significado (ex: aloquete/fechadura, griséus/ervilhas, chícharos/grão de bico, picheleiro/canalizador). Se estes exemplos não transtornam a unidade da Língua Portuguesa, porque motivo transtornaria o uso de palavras diferentes para um mesmo significado no outro lado do Atlântico?

março 21, 2012

Acácio Pinto em Português Grande

Extratos de artigo de opinião de Acácio Pinto, publicado no Diário de Notícias de 19 março 2012.
"[N]ão é com duas ortografias oficiais da língua portuguesa que atribuímos verdadeira universalidade e prestígio ao português no mundo, nomeadamente nas instituições e nas academias internacionais, para além de que uma grafia comum na CPLP abre novas oportunidades ao mercado da edição em português."
[…]
"[D]epois de cem anos de divergências ortográficas (desde o acordo de 1911 que não foi extensivo ao Brasil) e depois de várias tentativas goradas de acordos envolvendo a Academia Brasileira de Letras e a Academia das Ciências de Lisboa (1931, 1943, 1945, 1971/ /1973, 1975 e 1986) foi finalmente encontrado um texto comum que, podendo ter lacunas, é um acordo internacional e um acordo é, em si mesmo, um facto que encerra convergência, que é positivo e que importa, portanto, enfatizar."

março 20, 2012

Jorge Miranda em Português Grande (2)

Extrato de artigo de opinião do constitucionalista Jorge Miranda publica na revista 'Atual' do 'Expresso' a 17 março 2012 (sublinhados nossos):
O Acordo Ortográfico, assinado em 1990 por Portugal, Brasil e os países africanos de língua oficial portuguesa e a que Timor-Leste aderiu em 2004, tem concitado, desde o início, e agora ainda mais, críticas e ataques de grande intensidade. Não sendo filólogo, não me cabe pronunciar sobre o seu rigor científico, embora não concorde com algumas das soluções e saiba que os próprios filólogos se acham divididos.
Mas, independentemente de outras razões, parece estar a obnubilar-se a natureza política do problema. Do que se trata é da unidade ou aproximação - unidade possível, não completa, por inviável – da ortografia usada em Portugal e no Brasil. Tudo reside em reconhecer dois pontos: 1) que é indispensável, para a afirmação do português como língua internacional, que se verifique essa unidade e aproximação, e não a discrepância ortográfica; 2} que, como foi reiterado pelos ministros da Educação dos países da CPLP, em 26 de maio de 2004, o Acordo constitui um dos fundamentos da Comunidade (reunião na sequência da qual o Segundo Protocolo modificativo viria a estabelecer que aquele entraria em vigor com o depósito do terceiro instrumento de ratificação).
Em alguns escritos, diz-se que o-Acordo representa o abrasileiramento do português ou uma subalternização do português europeu. Admitindo sem conceder, de qualquer forma, a realidade é que o Brasil tem quase 200 milhões de pessoas a falar português e Portugal apenas 10 milhões; e um português reduzido às praias lusitanas correria o sério risco de se tomar uma língua secundária, uma espécie de língua regional - quando, pelo contrário, o português com o Brasil e a sua enorme potencialidade económica e política pode desempenhar um papel relevante nas relações da Europa com o resto do mundo.
(Consulta em linha do artigo)



Mais opinião publicada.



março 19, 2012

Um editor no meio da ponte entre o Brasil e Angola

A Porto Editora foi pioneira em Portugal na saída das editoras portuguesas do ghetto ortográfico. Sob todos os aspetos, for absolutamente notável o esforço e o empenho de recursos humanos e financeiros que a Porto Editora investiu a favor da uniformização ortográfica do Português.

O mercado angolano e moçambicano têm um peso significativo nas exportações editoriais portuguesas. Atendendo ao facto de Angola e Moçambique tardarem a ratificar o AO90 (apesar de ambos os países terem sido representados na sua elaboração e o terem assinado em 16 de dezembro de 1990), é legítimo que Vasco Teixeira, administrador da Porto Editora, manifeste apreensão pela eventual penalização da Porto Editora por ter correspondido às expetativas geradas por todos os Estados membros da CPLP de eliminação do apartheid na língua comum.

Seria bom que em Portugal e no Brasil “quem de direito” correspondesse ao apelo do editor português em artigo publicado ontem no Jornal de Angola: "No meio da ponte entre o Brasil e Angola":

“No momento em que tanto se apela à iniciativa privada para que contribua para o crescimento económico, com particular relevância para o sector da exportação, não deixa de ser curioso que dependamos dos bons ofícios diplomáticos de Portugal e, em particular, do Brasil para convencer Angola e Moçambique a adoptar o Acordo Ortográfico e assim preservarmos um património de enorme importância económica e estratégica - a nossa língua.
Haja visão para que esta história tenha um final feliz."

Mais opinião publicada.

março 17, 2012

Falácia Filológica

"O filólogo Fernando Paulo Baptista considera que o acordo ortográfico da Língua Portuguesa incorre "no absurdo" de recorrer à pronúncia para regulamentar os usos escritos, afastando-se da raiz greco-latina e das grandes línguas mundiais.".

Naturalmente que as "grandes línguas mundiais" a que o filólogo se estava a referir são o Inglês e o Francês. Mas, a bem da verdade e da credibilidade ele deveria ter dito "algumas grandes línguas internacionais são etimológicas estritas, outras, não", sem que daí advenham prejuízos conhecido para umas e outras, acrescentamos nós.

Mas a falácia maior está por apresentar. A ortografia pré AO90, que Fernando Paulo Baptista quer conservar e defender, é em tudo oposta aos propósitos de puritanismo etimológico e erudito que o filólogo formula. Na verdade, a reforma ortográfica portuguesa de 1911 (que corresponde basicamente à ortografia que usamos hoje) rompeu com a etimologia clássica e simplificou a ortografia aproximando-a da fonética. Sobraram algumas consoantes mudas que, supostamente, teriam valor fonético e que são eliminadas com o AO90. Mas esta eliminação não altera o cariz etimológico simplificado da ortografia portuguesa anterior ou posterior ao Acordo, antes o confirma.

Aqueles que usam argumentos de apego etimológico para se oporem ao AO estão a apontar ao alvo errado porque ignoram (ou querem omitir) que a etimologia simplificada foi adotada em Portugal há 100 anos. Para serem consequentes com os seus argumentos filológicos, os opositores ao AO deveriam combater a reforma ortográfica unilateral portuguesa de 1911 e pedir o regresso às “pharmacias”, aos “appellos”, às “scenas” e a outros “exaggeros”.