março 16, 2012

Não-Notícia (2) - "Tribunais recusam Acordo Ortográfico"


... e depois começamos a ler a notícia e afinal, "Alguns juízes têm obrigado a Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM) a aceitar textos que não seguem o novo Acordo Ortográfico." Outras partes da notícia confirmam que o número de juízes nesta circunstância é reduzidíssimo.

Confundir a atitude de todo o sistema judicial com um número insignificante de juízes constitui uma não-notícia.

De resto, parece muito evidente que o Sistema Judicial, e em particular os juízes, entenderam que é “conveniente que os cidadãos sejam servidos na mesma norma ortográfica que é usada na redação das leis, nas comunicações das entidades públicas, na generalidade dos órgãos de comunicação social, nos contatos por escrito com escritórios de advogados, na elaboração de contratos públicos e privados, nos livros que educam as novas gerações.”

Ainda assim, este caso vem confirmar a validade do aviso: "[a]té ao final do período transitório decorrerão ainda três anos em que a ortografia atual e a ortografia antiga poderão conviver. Este facto, mais que qualquer outro, potencia problemas e litígios ortográficos, sobretudo em questões judiciais, notariais, e educacionais." . Num mundo digitalizado, nada justifica que o período transitório de adoção do AO perdure até 2015.

Notícias relacionadas:
Diário da República publicado com duas grafias diferentes; Diário de Notícias 2012/03/16.

março 15, 2012

Portal do Cidadão Sai do Ghetto e da Ilegalidade

Apercebemo-nos hoje que o Portal do Cidadão iniciou a saída do ghetto linguístico e da ilegalidade em que este serviço público se encontrava desde o início do ano.


Bem-vindos ao Português Grande.


março 14, 2012

A Adaptação do Sistema de Justiça ao AO

O 'Público' noticia que o juiz titular de um dos Juízos cíveis do tribunal de Viana do Castelo não quer que as normas acordo ortográfico sejam usadas naquele Juízo, nem que ninguém se lhe dirija usando ortografia atualizada. A notícia completa aqui.

O assunto deve ser tomado como um incidente espectável na adaptação de alguns agentes judiciais ao AO. Estas situações, ainda que raras, terão tendência para se desvanecerem dado que a cada dia que passa o sistema judicial tem de lidar com mais legislação redigida nos termos do AO. Em breve todos os agentes da Justiça tomarão como conveniente que os cidadãos sejam servidos na mesma norma ortográfica que é usada na redação das leis, nas comunicações das entidades públicas, na generalidade dos órgãos de comunicação social, nos contatos com escritórios de advogados, na elaboração de contratos públicos e privados, nos livros que educam as novas gerações.

Notícias relacionadas:
Juiz diz que Acordo Ortográfico não está em vigor; Sol, 12/03/13;



março 08, 2012

Vasco Graça Moura faz proposta desesperada para perpetuar o Apartheid Linguístico

O DN publicou ontem o n-ésimo artigo de opinião do Dr.Vasco Graça Moura contra o AO.

O artigo traz uma novidade: desta vez VGM propõe que seja realizado um referendo para conseguir ganhar nas urnas aquilo que perdeu nos debates filológicos, primeiro, e nas questiúnculas legalistas, depois. Confirma-se que "não há duas sem três", e é de admitir que não haja "três sem quatro", pelo que se aguardam mais novidades num dos próximos artigos de opinião contra o AO.

Senhor Secretário de Estado da Cultura, "não havia necessidade"

Primeiro veio a confusão:
"Francisco José Viegas afirmou ontem que o Governo se prepara para alterar o Acordo Ortográfico até 2015 e que cada português é livre para escrever como entender",
uma semana depois veio o esclarecimento:
“O que eu disse foi que, a haver necessidade de fazer pequenas alterações, essas alterações têm de ser feitas num quadro multilateral. Por isso é que se chama acordo. Acordo entre os vários países"

Pelo meio ficou a natural estranheza de quem se bateu pela dimensão internacional da Língua e de quem acredita que os compromissos internos e externos do Estado são para levar a sério:
-Prof.Carlos Reis: "Estado deve cumprir aquilo a que se comprometeu";
-Palavras de Viegas suscitam estranheza no Brasil;
-Professores de Português lamentam declarações do SEC “Andam a brincar com o ensino”.

fevereiro 23, 2012

Henrique Monteiro em Português Grande


Extratos de artigo de opinião de Henrique Monteiro publicado na revista Atual da edição impressa do Expresso de 18 fevereiro 2012 (sublinhados nossos):
“Duas décadas depois de concluído, quatro anos depois de aprovado por ampla maioria no Parlamento, milhões de euros de investimentos depois, renasce a ofensiva contra o Acordo Ortográfico. Vamos falar de forma diferente? Claro que não! O que há é muita teimosia e alguma ignorância.
[...]
Cedemos? Não sei, nem me importa. Não quero uma língua para me distinguir do Brasil. Prefiro uma que me aproxime. E quem diz Brasil, que tem 200 milhões de falantes, diz naturalmente Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Timor.
[...]
Acirrar ânimos, insultar adversários, fazer juras solenes em torno de uma simples representação do nosso idioma faz-me lembrar aquele padre tio de Brás Cubas que o genial Machado de Assis (e não por acaso cito um autor brasileiro que devia ser mais lido em Portugal) descreve assim: "Não era homem que visse a parte substancial da igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia do que do altar. Uma lacuna no ritual excitava-o mais do que uma infração dos mandamentos". (E aqui, a palavra infração segue o modo como ele a escreveu... em 1881)."
 Artigo completo em linha aqui.


Mais opinião publicada.

fevereiro 22, 2012

José António Saraiva em Português Grande


Extratos da coluna do diretor publicada no Sol de 20 fevereiro 2012 (link).
"[O autor do artigo citando o pai, António José Saraiva] "A oposição ao Acordo Ortográfico é um enorme disparate. O nosso grande património é termos uma língua comum com o Brasil, com Angola, com Moçambique… Tudo o que pudermos fazer para aproximarmos a grafia uns dos outros é decisivo para nós. Perante isso, não tem qualquer interesse discutir chinesices, como a escrita desta ou daquela palavraEsta posição, assumida com a maior convicção, mudou o meu modo de olhar para o Acordo."
[...]
O essencial não é discutir o resultado – é admitir que são úteis todos os esforços que se façam no sentido de os países onde a língua oficial é o português aproximarem as suas grafias.
E são especialmente importantes para nós, portugueses.
Portugal tem 10 milhões de habitantes – mas o Brasil tem 200 milhões.
Só por arrogância ou por capricho se pode defender que devemos ficar ad aeternum agarrados às nossas regras.
O nosso papel deverá, mesmo, ser o oposto: levar os países que ainda não adoptaram o Acordo, como Angola, a fazê-lo rapidamente.
O que vale aqui é o princípio.
É termos permanentemente na cabeça a ideia de que todos ganham se em Portugal, no Brasil, em Angola, em Moçambique, em S. Tomé, em Cabo Verde, na Guiné e em Timor se escrever do mesmo modo.
Alegar razões de ‘consciência’ para rejeitar o Acordo é simplesmente ridículo: a ortografia não envolve princípios nem valores."

Mais opinião publicada.


fevereiro 20, 2012

Choques Ortográficos

A ler no blog "A Terceira Noite":
    O Choque Ortográfico 1
    O Choque Ortográfico 2

Grupo Media Capital Adota o AO

A partir de hoje, 20 de fevereiro, os meios do grupo Media Capital abandonam a ortografia antiga e adotam o Português Grande.

Entre outros, estão incluídos o portal IOL, a TVI, a TVI24, o MaisFutebol e a Agência Financeira.

Atendendo à abrangência e ao peso dos meios envolvidos, o dia de hoje é um marco importante para a divulgação e familiarização do cidadão comum com a simplificação ortográfica em curso.